Pão mais fácil do mundo que vai mudar a sua vida

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Esta receita é para a turma do glúten que só quer uma opção caseira e sem complicação para um pãozinho fresquinho todos os dias. Juro que eu tentei, mas não consegui encontrar nada mais fácil do que um pão de forma integral que fica crocante por fora e macio por dentro e só leva farinha, leite (ou bebida vegetal) e fermento químico (sim, fermento para bolo).

Com um pão é feito com fermento basiquinho de fazer bolo, eu nem posso pedir pra você ler a ladainha por enquanto a massa cresce. Faz assim, clica aqui pra ir pra receita e vem me ler por enquanto você come pão quentinho…

Pinit
A minha busca por esta receita começou com um papo que eu estava tendo com o meu pai no telefone. Depois de ouvir o episódio sobre farinha de trigo do Vai se Food, o Podcast da Ailin Aleixo, eu estava comentando com ele sobre como as farinhas brasileiras são quimicamente modificadas e que o pãozinho da padoca da esquina não é tão “caseiro” e inofensivo assim. Ele retrucou dizendo exatamente o que a maioria das pessoas diria, e este era o meu grande medo. Ele me disse: “fique tranquila, porque eu como muito mais pão de fôrma integral do que pão francês.”

E, convenhamos… Se você vive no planeta terra, no século XXI, e não se rendeu à vilanização do pão, você também já deve ter pensado que escolher uma versão integral, cheia de fibras e grãos diferentes na prateleira do supermercado é melhor do que comer pão francês todos os dias. Certo? Errado!

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O pão de forma é, sim, um alimento ultraprocessado. Vou dar a palavra à Dra Elizabeth Brenda que é minha super parceira e aliada nesta busca por uma alimentação menos industrializada e mais simples. Ela explica que “além da farinha, o pão da prateleira do mercado tem uma quantidade enorme de outros ingredientes que são muito nocivos. O principal deles, além de aditivos químicos, é o açúcar, que vem com uma série de nomes técnicos e podem te enganar e fazer você achando que está sendo super saudável comendo o seu pãozinho ‘integral'”. Bom, esta parte do açúcar e dos aditivos quÍmicos acho que você já imaginava, né? Mas não para por aí. “Quando o pão é industrialmente processado toda a fibra que tinha na pobre da farinha é retirada e o fabricante é obrigado a colocar uma quantidade (que é irrisória) da fibra que se separou do pão. Na verdade, ele está devolvendo o que o ultraprocessamento do alimento causou e, para arrematar a “sacanagem” ,ele escreve no rótulo que o pão dele é ‘enriquecido com fibras‘.” 

Daí o meu eterno suplício para que as pessoas leiam rótulos e não embalagens!

Eu vim aqui dizer para você nunca mais comer pão francês? Pelo amor dos deuses, não!

Eu vim aqui dizer que não pode comer pão de forma do supermercado (integral ou não integral)? Também não!

Só parto do princípio que conhecimento é poder e a gente pode comer absolutamente o que quiser e gostar, desde que saibamos o que estamos comendo. Ok?

E foi aí que a minha caça pelo pão mais simples do planeta começou. Minha mãe é fera na cozinha. Manda bem demais da conta! Mas a proposta era achar alguma coisa que fosse simples e pudesse ganhar da praticidade de pegar o pacotinho de pão “rico” nas fibras no mercado.

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E eis que depois de algumas horas online e uma ou duas tentativas, encontramos um vencedor. Ah! Aqui a gente trabalha na honestidade e devo dizer que esta receita original não é minha!! Eu já trombei com ela varais vezes e em diferentes versões. Fiz os meus ajustes, testes e aqui está o meu jeitinho de fazer este pão que vai fazer o padeiro sentir saudades de mim (e de você).

Agora vamos à receita que, desta vez, quem vai mostrar o passo a passo é mamis.

Pão mais fácil do mundo que vai mudar a sua vida

Ingredientes:
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1 xícara de chá de farinha de trigo*

1 xícara de chá de farinha integral*

1 xícara de chá de leite ou bebida vegetal (temperatura ambiente)

1 colher de chá de sal

1 1/2 colher de chá de fermento químico (fermento para bolo)

Opcional (mas fortemente recomendável): ervas (orégano, tomilho, alecrim…) e especiarias (cúrcuma, páprica…).

Modo de fazer

Pré-aqueça o forno em 220°C. Sim, pré-aqueça MESMO. Vamos fazer pão e precisamos de um forno bem quentinho para dar certo.

Quando o forno estiver “no ponto” vamos colocar a “mão” na massa. Entre aspas porque este pão não tem sova, nem fermentação, nem nada de complexo. Vamos colocar a colher ou espátula na massa, para ser mais exata.

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Em uma vasilha grande (eu sempre sugiro usar vasilha grande para não fazer sujeira) misture as farinhas (sim, todo pão integral leva farinha branca porque se não vira uma pedra), o fermento e o sal.

Se você aceitou a minha sugestão de colocar ervas e ou especiarias no seu pão, a hora também é agora. Misture todos os ingredientes secos. Eu já usei ervas finas e alecrim. Mamãe fez com orégano. Já coloquei cúrcuma também (o cheiro e cor são incríveis) e, na última empreitada ousei e coloquei algumas lâminas de amêndoa.

As poucos vá acrescentando o leite (ou bebida vegetal) e misture bem. Sempre com a espátula ou uma colher de pau. Resista firmemente à tentação de colocar a mão dentro da vasilha e vá raspando as bordas que logo você vai obter uma massa quase dura e bem gosmenta. A materialização da gororoba.

Eu já fiz usando leite desnatado e minha mãe usou leite integral, no entanto, eu queria muito poder sugerir uma versão vegana/sem lactose e fui caçar bebida vegetal. Fiz com leite de arroz e com leite de amêndoas. Todas as versões ficaram ótimas, ou seja, vai na sua preferência.

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Se usar bebida vegetal, lembre-se de dois detalhes. “Leites” mais neutros como de arroz ou aveia (e até de soja) darão mais ênfase aos grãos da farinha integral e/ou às ervas e especiarias que você usar, ao passo que, um “leite” de amendoim ou amêndoa, pode dar uma camada diferente de sabor ao pão. Só peço para que, se você (ainda) não é adepto de fazer sua bebida vegetal em casa, leia bem os rótulos para não acabar usando um produto ultraprocessado para fazer o seu pãozinho caseiro.


O ideal é usar uma forma de bolo inglês (que eu descobri que hoje em dia chama forma de pão de forma). Vai ficar todo bonitinho, mas se você não tiver esta forma, não tem problema. Use o que você tiver na mão e você vai se convencer que vale investir em uma forma especial para este pão.

Eu uso forma de silicone ou forro com papel manteiga, mas eu confesso que sou meio cética com o papel manteiga e acabo sempre untando um pouquinho. Tentamos não untar quando a mamãe fez e grudou um pouquinho. Conselho de amiga, unte a sua forma com um tiquinho de óleo.

Transfira a massa para a forma e use a espátula ou uma colher para espalhar bem e “ajeitar” direitinho por todos os cantos. Com uma faquinha de serra (eu acho mais fácil faca de serra porque a massa é bem gosmenta) faça uns cortes ao longo do pão para ele crescer bonito. E não se assuste, porque vai parecer que esta grudando tudo de novo. É normal…

Agora é só deixar o forno trabalhar. Deixe o pão assar de 50 a 60 minutos. Quando sair do forno, tire da forma e deixe esfriando em uma grelha. O pão vai meio que “terminar de assar” e isso vai impedir que ele murche. Calma, você vai comer pão quentinho, só tenha um pouquinho de paciência e espere amornar para cortar.

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A casquinha fica crocante e o interior macio. Uma perdição!

Pega este boullying aqui, ó:

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🇧🇷 Liga o som pro bullying #FoodPorn funcionar! O pão de forma integral multigrãos enriquecido em fibra que está na prateleira do supermercado é ultraprocessado, sim! Ele tem cara de saudável, dá pinta de saudável se comparado ao pão francês, mas está longe de ser a melhor alternativa. E é justamente por isso que hoje teve pão fresquinho com uma receita que tem versão vegana, leva só 3 ingredientes, não precisa sovar e usa fermento de fazer bolo. Agora aticei sua curiosidade e papilas gustativas, né ? Corre lá no blog (link na bio – pão mais fácil do mundo que vai mudar a sua vida) que tem a @draelizabethbrenda explicando mais sobre o pão ultraprocessado e as farinhas, tem sugestão de Podcast e, claro, tem a receita com um passo a passo mais do que especial protagonisado pela mamãe. 🍞 ______________________ 🇬🇧 Sound ON so the #FoodPorn bullying works! The wholewheat loaf enriched with fibres that comes inside a plastic bag and you buy on the supermarket is a ultra-processed food! It looks healthy and even play healthy when compared to the white bread laying on the bakery counter, but it's far from being the best choice. And that's exactly why today I woke up and baked this fresh #homemade bread with a recipe that has a #vegan alternative, takes only 3 ingredients, doesn't need kneading and is made with ordinary bakery powder (the one we use to make cake). Now that I have your attention and you're salivating I give you the best part. Just follow the link on the bio (easiest bread on earth that's going to change your life) to go to the blog where @draelizabethbrenda explains all about this ultra-processed breads and, of course, you have the recipe that's going to make you long for breakfast in a special step by step video featuring my mom. 🍞

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Esta quantidade rende um pão de 500g, o que eu acho bem ok para uma pessoa que mora sozinha. Ele dura uns 4, 5 dias em saquinho de pão ou na geladeira. E pode congelar também.

Mamãe fez o dobro da receita. Ela e papai em plena pandemia estão mais ávidos por pão fresco e ela já achou que seria mais prático.

Agora é com você. Esbanje das farinhas integrais com cereais diferentes. Teste e se aventure com ervas e especiarias e transforme o seu pão nosso de cada dia em um momento gourmet e super saudável.

Agora vamos à mamãe mandando ver no pãozinho e eu, ali em cima, só coordenando pela câmera do celular.


*só um adendo para falar rapidinho da farinha.

Se você ainda não ouviu o Podcast que eu citei aqui ouça, mas eu te adianto a questão. A maioria (para não dizer todas) das farinhas brasileiras sofrem fortes processos de “melhoramento” para ficar mais branquinha e fininha. Lembra que no tempo da vovó a gente precisava peneirar a farinha? Pois então… é “graças” a estes processos químicos que hoje em dia não precisa mais e é por isso que a farinha é tão linda e tão branca que parece lençol novo secando no varal. E se parece lençol, não é a toa. Um dos químicos usados para dar uma carinha fofa para a farinha de trigo é, pasme, ALVEJANTE!

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A Dra Elizabeth explicou que “os fabricantes se valem de “condicionadores” que, quando misturados com o fermento, mudam muito o grau de digestibilidade da proteína da farinha, que é o famoso glúten. No final das contas, é muito comum que as pessoas que sentem aquele mal estar e acreditam ter uma sensibilidade ao glúten podem, na verdade, estar sofrendo com um dificuldade de digerir este glúten modificado”.

Tudo isso para pedir para que você, quando for fazer seus pães e bolos, escolha sempre uma boa farinha. Se ela for mais escurinha e tiver uns grumos, não tem problema nenhum. É sinal de farinha saudável! Lembre-se que, em termos de saúde e bem-estar, o barato pode sair bem caro.

 

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