Chapati (pão indiano – SEM fermento – 2 ingredientes)

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Pinit

Clique aqui para seguir direto para a receita e conferir a lista exaustiva de ingredientes necessários para este pãozinho. Mas volte porque eu tenho sempre uma história fofinha pra contar

Uma das minhas culinárias favoritas é a indiana. Aprendi que as especiarias fazem toda diferença em qualquer comida e os indianos sabem disso como ninguém. Cominho, cúrcuma, noz moscada, anis estrelado, cravo, pimentas dos mais diversos tipos… A lista (e combinações) é infinita.

Mas eu não estou aqui pra dar receita de samosa, dal ou frango ao leite de coco. Até porque, por mais amante que eu seja e me aventure muito nos pratos típicos indianos, eu sempre dou meus pulinhos, mudo isso e aquilo e não teria o menor cabimento a italo/brasileira aqui sair ensinando comida indiana, né? Eu estou aqui para falar de uma das minhas paixões desta saborosa culinária que, por incrível que pareça, meio que não tem gosto de nada. O chapati.

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Tão popular quanto o arroz, reza a lenda que o chapati foi o primeiro pão do mundo, datando de mais de 10 mil anos. Na Índia é comum que as pessoas comam com a mão direita e usam os flatbreads (pão achatado em tradução livre) como o chapati para fazer as vezes dos talheres e ajudar a pegar a comida.

Na verdade dizer que o chapati não tem gosto de nada não faz jus a este delicioso e milenar pãozinho. A ideia é ser uma base neutra cujo sabor é atrelado ao prato que se combina com ele. Que seja um curry, um cozido de legumes ou simplesmente uma bela pincelada de ghee tudo é possível para tornar o flatbread uma iguaria única.

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Se ele é mesmo o mais antigo eu não posso garantir, mas é, certamente, o mais simples. Sem nenhum tipo de fermento e com apenas 2 ingredientes eu devo confessar que passei muitos anos da minha vida adorando o chapati e ao mesmo tempo, totalmente incrédula achando que jamais daria certo uma versão caseira do pãozinho. É aquele tipo de coisa que é bom de mais e fácil de mais para ser verdade.

Mas a gente está na chuva para se molhar e bastou uma pandemia, um lockdown e um amigo indiano mais do que querido e solicito para me incentivar a fazer chapati no conforto do meu lar. E não é que deu certo? E deu tão certo, e eu fiquei tão fanática que, além de fazer chapati o tempo todo, empolguei metade dos meus amigos pra fazer também e já saí inventando moda.

Vamos pra receita sem mais delongas que ainda sinto que tenho muita história pra contar:

 

Chapati

 

Ingredientes (para 4 chapatis de 15cm de diâmetro)
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1/2 xícara de farinha de trigo (se você quiser pode usar 50% farinha branca e 50% farinha integral)*

1/4 xícara de água morna

Modo de fazer

Eu não sei vocês, mas quando eu era criança minha mãe fazia massinha pra gente brincar. Água + farinha (com uma pitada de gelatina em pó pra dar uma corzinha). O princípio é EXATAMENTE o mesmo.

Coloque a farinha em uma vasilha grande. Eu fui “safada” e juntei uma pitada de sal, mas, originalmente não leva sal. Vá acrescentando a água aos poucos e misturando com as mãos até obter uma massa homogênea e elástica. O ideal é você sovar essa massa por uns 5 minutos, mas faça isso na vasilha  – por isso é legal usar uma vasilha grande –  para evitar acrescentar mais farinha que poderia fazer o pão ficar ressecado e quebradiço.

Faça uma bolinha e deixe descansar coberto com um pano úmido ou plástico filme por, pelo menos, 10 minutos.

Hora de abrir a massa e para isso você precisa espalhar um tiquinho de farinha sobre a bancada – mas é um tiquinho mesmo, hein? Lembra que o chapati não gosta de farinha de mais para não quebrar. Faça uma cobrinha e divida a massa em quatro partes iguais. Com um rolo (ou garrafa – eu uso garrafa por motivo de “não tenho rolo”) vá abrindo cada bolinha em um disco bem fino.

Não se preocupe em ficar perfeito. O bacana disso tudo é o lado rústico da pãozinho. Só cuide para fazer bem fininho.

Frigideira antiaderente (se não tiver, tudo bem, mas é melhor). Não precisa untar. Fogo médio. Quando a frigideira estiver bem quente pode lançar o disquinho pra dentro dela e deixar “assar” por cerca de 40 segundos. Você vai ver que vão subir umas bolinhas. Você pode espirrar um pouco de água com os dedos por enquanto o pão está na frigideira para ajudar a fazer subir essas bolhas.

Com cuidado para não rasgar a massa, vire o pão – com uma espátula ou pinça – e cozinhe do outro lado. Se você quiser mais tostadinho, pode dar outra rodada na frigideira. Mais uns segundinhos de cada lado. E pronto!

Vi em alguns vídeos que o meu amigo indiano me mandou os indianos guardando o chapati envoltos em uma toalha para continuarem fresquinhos e quentinhos até a hora de comer. Aqui eu uso um pano de prato.

*#LOWCARB: Eu encontrei pelo maravilhoso mundo virtual alguns chapatis low carb, com farinha de amêndoa. Se você for dessa turma e se animar para testar, venha me contar se deu certo. 

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Água e farinha é só o começo

Minha primeira tentativa foi das mais básicas. Meu amigo me mandou vídeos e me deu dicas. Me disse que eu não tinha porque ter medo e que o fato de ter um fogão elétrico não haveria de ser um problema.

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Ele me sugeriu diversos pratos deliciosos para combinar com o chapati, mas minha incredulidade no sucesso da empreitada me impediram grandes aspirações. Resolvi fazer um teste e, se desse certo, eu comeria com cream cheese, mesmo, assim, se eu falhasse solenemente a frustração seria menor.

No final das contas eu achei que deu tão certo que fiquei atrevida e aventureira e saí “inovando” com o chapati. Comecei a acrescentar algumas ervas desidratadas à massa. Orégano, cebolinha, ervas finas. Cada um mais lindo do que o outro, mas eu ainda estava usando o chapati para acompanhar o brunch da quarentena, com o omelete de microondas e muito queijo.

Um belo dia eu pensei: e se o chapati virasse pizzetta in pandella – a famosa pizza de frigideira. Hesitei, claro. Essa onde de apropriação cultural me deixou com medo. Será que a Itália vem caçar o meu passaporte ou os indianos vão me expulsar do bairro deles aqui em Paris?

Mas a larica pela pizza falou mais alto e numa bela tarde de domingo eu segui o conselho de uma amiga, me vali do argumento “fusion food” e a pizza/chapati ganhou vida. Uma delícia!

Quando mostrei para o meu amigo indiano – com medo de ele ficar chateado de ver tamanho atrevimento com a culinária tão milenar e deliciosa dele – eu ouvi o melhor dos incentivos que eu jamais poderia imaginar. Praveen me disse que eu havia transformado o chapati em uma pintura com uma loucura de cores que lembrava os artistas italianos.

Eu disse que sempre que faço chapati eu penso nele e sou bastante grata pelo incentivo que ele me deu de não ter medo de tentar. É sincero. Eu sempre vou pensar nele em meio aos meus chapatis – que seja acompanhado de um belo curry ou em forma de pizza. Sempre terei comigo este amigo querido que o mundo virtual me deu e que confirma ainda mais minha crença de que comida caseira e com afeto tem, mesmo, o poder de unir as pessoas (e até as culturas).

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Vamos combinar assim: na cozinha da casa da gente, tudo é permitido. O importante é ser feliz (e comer bem)!

Até base de sanduíche de falafel o meu já virou (coloquei cúrcuma na massa por isso ela está com essa cor maravilhosa). E por aí? Seu chapati vai ser servido com o que?

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