Caviar de beringela (ou “fake” babaganoush)

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Aqui vai o botãozinho que te leva direto para a receita se você não quiser saber como a minha mãe pirou no caviar de beringela. Ah! Mas antes de correr para a receita ou correr da receita, por favor, mesmo que você não goste de beringela, peço que você dê uma chance à ela…

Essa pastinha super versátil me faz lembrar das últimas férias que passei em São Paulo, na casa dos meus pais. Quem é habitué do food therapy já sabe que eu compartilho o habitat natural cozinha com a minha mãe, ou seja, dá para imaginar que, para mim, não pode haver diversão maior do que passar o dia cozinhando com ela. Para isso, quando eu estava planejando meus dias “em casa” ia sempre dizendo ‘vamos cozinhar isso…’; ‘quero que você me faça aquilo…’; preciso te apresentar essa receita que eu inventei…’

Finalmente, às vésperas da viagem minha mãe e eu fizemos uma lista de compras básica para eu poder fazer um almocinho quando chegasse antes de irmos juntas nos aventurar no mercado. Eu já tinha marcado manicura para quando chegasse – prioridades, meu povo –  e queria algo rápido porque entre comida de avião e fuso horário, a fome não ia esperar. Na lista, além de um dos meus queijos favoritos, abóbora e banana, incluí beringela e algumas outras coisinhas para fazer esse tal caviar de beringela, ou, como diriam os franceses… “caviar d’aubergine”. Chique, né?

Pinit

Essa receita, na minha vida, começou quando eu queria fazer babaganush, aquela pastinha de beringela típica da culinária árabe/síria. O único se não é que para fazer esse néctar basta defumar a beringela. Eu adoro uma iguaria mediterrânea, mas a ideia de limpar a sujeira de torrar o legume direto na chama aberta do meu fogão não me apeteceu muito. Gosto de experimentar, mas também gosto de coisas práticas. E foi aí que eu pensei… e se eu fizesse uma babaganush falsiane e, ao invés de defumar a beringela eu a colocasse no forno?

Foram diversas tentativas e adaptações até chegar a essa versão absolutamente não definitiva que divido com vocês.

Voltando às férias na casa da mamãe… quando eu cheguei, tomei um banho rápido e desci na cozinha já quase atrasada para o inadiável compromisso de fazer as unhas. Cortamos a beringela ao meio, junto com alguns outros legumes, coloquei em uma assadeira e taquei tudo no forno. Falei: “mãe, vigia aí. Acho que, no seu forno, uns 30 minutos. Quando a beringela ficar mole, você desliga”. E com essa, saí às pressas.

Uma hora depois, quando eu voltei para casa, minha mãe estava lá, com os legumes assados, achando tudo com cara de ressacado, e sem ter a menor ideia do que eu haveria de fazer para salvar aquilo. Alguns temperinhos, um mixer (ou liquidificador) e menos de cinco minutos depois, a pastinha estava pronta. Essa babaganush fake ou caviar de beringela foi um dos carros chefe da viagem. Em suas diversas versões, levamos pro lanche na casa da minha avó, para a jantar na casa da madrinha, fizemos para receber as tias em casa e para mim e para ela, que aproveitamos essa delicinha de mil formas.

Pinit

Bom, chega de papo, né? Vamos logo ao passo a passo que eu já estou até ficando com fome pensando no potinho que eu deixei para a minha flatmate na geladeira da minha casa.

Caviar de beringela (ou “fake” babaganoush)

Ingredientes

1 beringela grande

Pinit

2 tomates italianos

1 cebola média (para grande)

2 pimentões pequenos (eu gosto de usar vermelho e amarelo) – opcional*

¼ de xícara de hortelã

Suco de um limão

Sal, pimenta do reino (ou pimenta síria), cominho e gengibre

½ colher de sopa de azeite

Modo de fazer
  • Corte ao meio a beringela, os tomates (não precisa retirar as sementes), os pimentões (esse você pode tirar as sementes) e a cebola. Cubra uma assadeira com papel manteiga (ou unte rapidamente com um fiozinho, inho, inho de azeite só para não grudar) e disponha as beringelas com a polpa para baixo, os tomates com as sementes para cima e o resto como você quiser.
Pinit

* A receita original da babaganush não vai pimentão (nem tomate, e tal, diga-se de passagem) mas como eu já avisei que o lance aqui é mais falso do que nota de 1 real, está tudo sob controle. Coloco o pimentão como opção porque sei que ele é controverso. Há quem ame, quem odeie e quem sofra para digeri-lo. Para quem não curte, pode fazer sem, mas se você é time pimentão, vai fundo que fica maravilhoso.

  • Leve ao forno para assar a 200°C por cerca de 30 minutos. É aquela palhaçada de sempre, vai depender do forno de cada um. Na minha casa demora uns 35/40 minutos. Na Ferrari dos fornos que a minha mãe tem na casa dela, não leva nem 30. O importante é você sentir que a beringela está mole. Ela é quem dá o tempo do forno.
Pinit
  • Quando estiverem no ponto, retire do forno e, caso você queira tirar a casca da beringela, espere esfriar um pouco para você não se queimar. Eu explico. Eu sou da turma que manda ver na casca da beringela. Eu acho que fica bem gostoso, mas se você tiver preconceito ou quiser uma pasta mais lisinha, recomendo que você raspe a polpa da beringela com uma colher e descarte a casca (ou use-a em alguma outra preparação, tipo, em tirinhas naquela nossa omelete de micro-ondas sucesso).
  • Coloque todos os ingredientes direto em uma tigela funda, acrescente o suco de limão e a hortelã (nem precisa picar) e bata com um mixer. Se você não tiver mixer, jogue tudo no liquidificador e bata em potência média para baixa, para você poder controlar o resultado final. A ideia é obter uma pasta cremosa, mas cada um gosta da sua pasta de uma maneira diferente (e eu gosto de todas). Mais lisinha, mais grossa, pedaçuda…  Vai do gosto do freguês.

Lembra que eu pedi para você se liberar do preconceito caso não gostasse de beringela? Então… nessa receita, a função dela é dar cremosidade ao patê sem termos que acrescentar litros de azeite ou algum outro espessante.

  • Com a pasta pronta e na textura que você desejar é a hora mais feliz. Vai por mim! Os temperos árabes/sírios são especiais e fazem a diferença. Claro que se você não tiver cominho em casa, não tem problema, mas na próxima ida ao mercado, se você estiver aventureiro procure o cominho e a pimenta síria. Tempere com o sal, a pimenta, o gengibre (uso em pó mesmo) e o cominho (à gosto). Se você não está acostumado com o cominho, vá colocando bem pouquinho de cada vez e experimente. São temperos marcantes, mas, como eu disse, são a cereja do bolo (ou, neste caso, o cominho da babaganush).
Pinit

PRONTO! ACABOU! É só isso! Não, eu não esqueci do azeite. Eu espalho ½ colher de sopa na hora de servir. Você pode separar algumas folhas da hortelã para jogar por cima também, ou até salpicar um tiquinho de salsinha.

Em um pote bem fechado, essa belezinha pode durar até uma semana na sua geladeira, ou seja, dá pra fazer um montão e ter sempre à mão. Fica uma delícia com pão, ou pode ser servido como acompanhamento para um peito de frango grelhado ou um peixe assado. Você pode usar para rechear tortas (eu uso muito naquela de massa delícia de grão de bico). Meu acompanhamento preferido é com falafel assado e queijo feta.

Pinit

Eu sou da opinião que você deve fazer esse “caviar”, patê, pasta, babaganush, etc. Chame como quiser, coma com o que quiser… É tão simples, versátil e gostoso que parece mentira que vai funcionar. Mas eu juro que vai!

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